O ódio que move os radicais do lobby LGBT deve aliás começar por enojar e causar repulsa às próprias pessoas com tendências homossexuais que não partilham do radicalismo dos activistas.
Nos dias que correm, defender a liberdade implica, cada vez mais, resistir à ofensiva do poderoso lobby LGBT. Para que não haja confusões, importa começar por explicar que denunciar a ameaça do lobby LGBT não equivale, naturalmente, a ter qualquer hostilidade para com as pessoas em função da sua orientação sexual. Não se trata sequer necessariamente de denunciar quem defende posições ditas “progressistas” nestas matérias. Há, felizmente, muitos exemplos de pessoas que defendem essas posições e com as quais é possível ter debates produtivos e mutuamente enriquecedores.
O que está aqui em causa é denunciar uma minoria activista de pendor claramente totalitário que visa usar o poder do Estado para moldar a sociedade na exacta medida dos seus planos de engenharia social pervertida. O perigo dessa minoria é directamente proporcional à sua ampla influência nas estruturas políticas (em especial nas transnacionais), na comunicação social e nos sistemas de ensino e investigação: veja-se, por exemplo, o império dos chamados “estudos de género” e a orientação dominante – para não dizer hegemónica – desse tipo de estudos.
O ódio que move os radicais do lobby LGBT deve aliás começar por enojar e causar repulsa às próprias pessoas com tendências homossexuais que não partilham do radicalismo dos activistas. Um bom exemplo desse ódio foram as reacções contra declarações do insuspeito Ricardo Araújo Pereira, em que este se terá queixado da crescente opressão do politicamente correcto nestes domínios.
No contexto das reacções, este artigo de Isabel Moreira merece destaque por ter a virtude de dissociar explicitamente a esquerda (ou pelo menos a esquerda na qual Isabel Moreira e outros activistas similares se inserem) da defesa da liberdade, colocando-se euforicamente no campo anti-liberal. Como explicou Maria João Marques:
É a esta ofensiva anti-liberal que urge resistir, organizando meios de resistência que devem unir todos quantos defendem a liberdade contra o ódio e a intolerância do radicalismo do lobby LGBT. A recente criação em Espanha da Plataforma por las Libertades é um bom exemplo mas está quase tudo por fazer neste domínio, ainda para mais considerando a magnitude dos poderes e interesses que é preciso enfrentar.
Chegados a este ponto, importa recordar uma passagem da importante palestra dada pelo liberal Hayek na conservadora Heritage Foundation no início dos anos 1980, intitulada “Our Moral Heritage” (pedindo desde já desculpa por não arriscar uma tradução rápida do eloquente original):
Embora o comunismo – pelo menos na sua versão “científica” clássica – se encontre hoje quase completamente desacreditado, o testemunho da guerra contra a família passou nos nossos dias para o lobby LGBT e para os defensores da agenda radical “do género”. Tal como aconteceu múltiplas vezes no passado, importa que todos quantos valorizam a preservação e continuidade da civilização europeia e ocidental e da sua ampla matriz de liberdades se posicionem solidamente do lado certo.
Votos de um Santo Natal para todos os leitores.
Professor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa






