terça-feira, 6 de outubro de 2015

Onde os Cristãos têm falhado quando lidam com o homossexualismo

Por Joseph Sciambra

Quando o Senhor me salvou do triste e solitário mundo do homossexualismo, rapidamente me apercebi que os meus problemas - passados, presentes e futuros - iriam desaparecer para além da minha luta em favor duma forma de castidade. De facto, no princípio, a castidade era algo bastante fácil de se levar a cabo.

Era mais ou menos assim: quando eu era criança, e por algumas vezes, normalmente durante a Páscoa ou  Halloween, eu tomava para mim uma grande quantidade de doces. Sem o conhecimento dos meus pais, eu escondia quantidades enormes desses doces, e comia-os até ficar satisfeito. Subsequentemente, eu ficava tão doente do estômago que a ideia de voltar a comer doce era-me revoltante. E durante algum período de tempo, eu ficava de todo longe deles, e nem sentia saudades.

Durante alguns anos, foi isto que aconteceu comigo e com o sexo. A liberdade da concupiscência fez com que eu tivesse vontade de aprofundar ainda mais; eu sabia que poderia ser casto, mas o que eu queria saber era o porquê de eu inicialmente me ter tornado homossexual.

Depois de regressar à Igreja Católica, notei um foco imediato na castidade, especialmente no que toca as iniciativas que visavam a comunidade homossexual ou aqueles que queriam abandonar o estilo de vida homossexual.

Tudo isto estava certo visto que o alcoólico que quer parar de beber, ou o viciado em heroína que quer parar de se injectar, tem que parar imediatamente; não se passa de duas garrafas de vodka por dia para uma, e também não se reduz para metade a quantidade de heroína que se consome; todas as pessoas que já passaram por vícios sabem que isto é uma receita para desastre.

O que se faz é parar por completo, passar pelos sintomas de abstinência, e depois começar de novo. É aqui que o verdadeiro trabalho começa. Depois de ter sido curada na clínica Betty Ford, a ícone homossexual e viciada crónica Elizabeth Taylor disse o seguinte:

Na [clínica] Betty Ford tive que encarar coisas que nunca havia encarada no passado. Aprendi que eu havia passado anos a conter os meus sentimentos verdadeiros.... Todos esses anos a encobrir a dor e a não falar dela criaram várias cicatrizes.

No entanto, não existe uma Clinica Betty Ford Católica, e a minha percepção era a de que a Igreja, pelo no menos no que toca aos seus esforços de alcance aos homossexuais, parece deixar os homossexuais como um tipo de bêbados abstémicos; ainda são homossexuais mas já não têm relações sexuais.

Para mim, isto era totalmente inadequado. Primeiro que tudo, como é que eu poderia controlar ou dominar os meus impulsos - a atracção homossexual - se eu não sabia de onde eles vinham?

Segundo: a castidade sem a cura parecia forçada e pouco natural; com a minha orientação homossexual ainda intacta, sempre senti que me estava a negar a mim próprio, que Deus e a Igreja me haviam tirado alguma coisa, que eles estavam a impor a sua vontade.

Terceiro: Eu ainda estava a sofrer; eu era exteriormente casto mas não era feliz. Tal como Taylor, eu tinha muitas cicatrizes e eu nem entendia que as tinha (ver notas 1-5). Durante a maior parte tempo, eu, tal como muitos homens homossexuais, sofria de algo chamado Anosognosia, ou a incapacidade de entender que se tem uma doença mental séria; cerca de metade dos esquizofrénicos sofre com esta condição.

Com isto em mente, toda a conversa em torno da castidade, da importância da oração, e da necessidade de camaradagem, não iriam significar nada até que eu pudesse finalmente admitir que estava doente, que estava danificado - que estava desordenado (6). É aqui se encontra o problema de algumas iniciativas baseadas na fé visto que existe com frequência alguma discussão em relação a este ponto; por exemplo: "--- a atracção é uma desordem, mas a pessoa não é".

Se formos seguir esta forma de pensar, a inclinação desordenada é então entendida como algo que existe fora da pessoa; o que se segue é que a escolha de permanecer casto torna-se uma batalha infindável contra uma assombrosa força invisível. Este esforço é incrivelmente nobre, mas exaustivo e dado a recaídas, desencorajamento e eventual regresso à actividade homossexual.

Este cíclo de reincidência e Confissão normalmente fecha os homens dentro da orientação porque a fonte e a causa dessas feridas profundas que geraram o homossexualismo nunca são totalmente examinadas. Sem este doloroso mergulho dentro da frágil psique, os esforços para se lidar com o problema do homossexualismo ficam focados nos "actos homossexuais como actos de depravação grave" ao mesmo tempo que esta importante declaração é ignorada:

Embora a inclinação particular da pessoa homossexual não seja um pecado, ela é mais ou menos uma forte tendência orientada rumo a um mal moral intrínseco; e desde logo, a inclinação tem que ser vista com uma desordem objectiva.*

Desde logo, de forma a nos orientarmos literalmente em direcção a Cristo, a abordagem fundamentada na fé tem que incluir a cura do corpo, da mente e do espírito. Isto tem que começar com a aceitação de que o que estou a sentir está errado e que essas afeições, embora eu não esteja a agir segundo as mesmas, são desordenadas. Com esta  clareza simples, torna-se óbvio que de forma a manter-me casto, o motivo desses desejos desordenados têm que ser explorados.

Por esta altura, qualquer falta de vontade em explorar os nossos próprios corações sombrios normalmente é um apego orgulhoso aos antigos caminhos e uma recusa em reconhecer que a orientação homossexual é, em última análise, a origem do problema. Actualmente, este conceito de negação homossexual tem-se materializado na tendência de alguns Católicos se auto-identificarem como homossexuais ao mesmo tempo que exortam a castidade.

No entanto, e como forma de avançarmos, temos que confiar no Nosso Senhor Jesus Cristo, e frequentemente isto é difícil porque, como homens homossexuais, carregamos a dor de termos sido traídos e magoados pelos outros, por vezes por parte de pessoas que nos são próximas, o que faz com que o acto de dar acesso ao nosso pequeno e protegido mundo de falsa segurança seja uma experiência assustadora.

No entanto, a dada altura da vida de todos os homossexuais, deixamos que algo entrasse dentro de nós - normalmente foi a promessa de felicidade que seria obtida ao admitirmos que éramos homossexuais; podemos chamar a isto de demónio homossexual, mas nós aceitamo-lo e deixamos que ele entrasse. Mais tarde, um padre perfeitamente corajoso finalmente me libertou desta possessão horrível.

Segundo a minha própria experiência, seguindo exactamente como Cristo nos ensinou a passarmos a "ser como criancinhas" como forma de sermos curados, foi exactamente isso que eu fiz; tive que voltar para todo o tumulto, para o abuso, e para o ódio da minha infância. De forma geral, este trauma homossexual colectivo tem sido subconscientemente reconhecido pela comunidade homossexual através do projecto com o nome "It Gets Better", que reconta o terror mas que depois avança rapidamente para a fantasia de felicidade eterna que só pode ser atingida através da auto-realização homossexual.

Na verdade, entrar no homossexualismo só enterra a dor, e durante muitos anos, foi isso mesmo que eu fiz. E rapidamente, com frequência através da cobertura duma espessa neblina de pornografia que encheu a minha cabeça a partir dos meus 8 anos, comecei a esquecer que essa dor existia. Agora, eu tinha que me lembrar porque essas memórias subterradas estavam a controlar a minha vida, e com frequência a direccionar as minhas acções e a determinar as minhas atracções.

De facto, muitos homens homossexuais que passam por algum tipo de trauma durante a infância, mais tarde recriam o abuso numa tentativa vã de, de alguma forma, o normalizar. (7) Por exemplo, quando era uma pequena criança, um agressivo e mal-intencionado rapaz constantemente fazia pouco de mim devido à forma como eu andava, falava, agitava os meus braços, e da minha envergonhada aparência amaricada.

Mais tarde, quando me envolvi no BDSM, a última paragem ultra-pervertida no já-de-si bizarro no mundo do sexo homossexual, todas estas humilhações da minha infância anteriormente submergidas voltaram. De forma geral, reviver estas experiências apenas me ajudaram durante alguns breves momentos. Da mesma forma, abraçar unicamente a castidade parecia também suprimir a dor.

Só quando eu já não temia o que iria encontrar no meu passado é que permiti que o Nosso Senhor Jesus Cristo me curasse por inteiro. Só no meio leito de morte é que clamei por Jesus, e Ele salvou-me. Depois de muita batalha, entendi que Deus não queria apenas que eu ficasse casto e homossexual:

E pela fé no seu nome fez o seu nome fortalecer a este que vedes e conheceis; sim, a fé que vem por ele, deu a este, na presença de todos vós, esta perfeita saúde.
- Actos 3:16

- http://goo.gl/kAcMUW


1. “Gay and bisexual men were more likely than heterosexual men to be diagnosed with at least one of the five mental health disorders assessed in the MIDUS, after we adjusted for possible demographic confounding. In particular, gay and bisexual men were 3.0 times more likely to meet criteria for major depression and 4.7 times more likely to meet criteria for a panic disorder than were heterosexual men. Further, nearly 20% of gay–bisexual men overall were comorbid for two or more disorders, a prevalence exceeding that seen among heterosexual men. Differences observed between gay–bisexual and heterosexual men were unchanged when effects associated with treatment for HIV or AIDS in the prior year were considered…”
“Prevalence of Mental Disorders, Psychological Distress, and Mental Health Services Use Among Lesbian, Gay, and Bisexual Adults in the United States”
Susan D. Cochran, J. Greer Sullivan, and Vickie M. Mays
Published in final edited form as:
J Consult Clin Psychol. 2003 Feb; 71(1): 53–61.

2. “Meta-analyses revealed a two fold excess in suicide attempts in lesbian, gay and bisexual people. The risk for depression and anxiety disorders (over a period of 12 months or a lifetime) on meta-analyses were at least 1.5 times higher in lesbian, gay and bisexual people and alcohol and other substance dependence over 12 months was also 1.5 times higher.”
A systematic review of mental disorder, suicide, and deliberate self-harm in lesbian, gay and bisexual people”
Michael King, corresponding author…
BMC Psychiatry. 2008; 8: 70.
Published online 2008 Aug 18. doi:  10.1186/1471-244X-8-70

3. “The 7-day prevalence of depression in men who have sex with men was 17.2%, higher than in adult U.S. men in general…Depression was also associated with histories of attempted suicide, child abuse, and recent sexual dysfunction.”
“Distress and depression in men who have sex with men: the Urban Men's Health Study.”
Mills TC et al.
Am J Psychiatry. 2004 Feb;161(2):278-85.

4. “Lifetime major depressive episode (MDE) affected 33.2% of the youth. Lifetime conduct disorder (23.6%), alcohol abuse/dependence (19.6%), posttraumatic stress disorder (PTSD; 16.0%), and nicotine dependence (10.7%) were also common…Most participants with mental disorders never received treatment, and comorbidity was common.”
“Mental health disorders in young urban sexual minority men.”
Burns MN et al.
J Adolesc Health. 2015 Jan;56(1):52-8. doi: 10.1016/j.jadohealth.2014.07.018. Epub 2014 Oct 5.

5. “Gay, lesbian, and bisexual young people were at increased risks of major depression, generalized anxiety disorder, conduct disorder, nicotine dependence, other substance abuse and/or dependence, multiple disorders, suicidal ideation, and suicide attempts…Findings support recent evidence suggesting that gay, lesbian, and bisexual young people are at increased risk of mental health problems, with these associations being particularly evident for measures of suicidal behavior and multiple disorder.”
“Is sexual orientation related to mental health problems and suicidality in young people?”
Fergusson DM1, Horwood LJ, Beautrais AL.
Arch Gen Psychiatry. 1999 Oct;56(10):876-80.

6. “The number of men and women who have deep-seated homosexual tendencies is not negligible. This inclination, which is objectively disordered, constitutes for most of them a trial. They must be accepted with respect, compassion, and sensitivity. Every sign of unjust discrimination in their regard should be avoided. These persons are called to fulfill God’s will in their lives and, if they are Christians, to unite to the sacrifice of the Lord’s Cross the difficulties they may encounter from their condition.”

7. “Childhood sexual abuse is associated with high-risk sexual behavior in men who have sex with men…Results indicated that men who have a history of childhood sexual abuse were more likely to: engage in high-risk sexual behavior (i.e., unprotected receptive anal intercourse), trade sex for money or drugs, report being HIV positive, and experience non-sexual relationship violence. Results of this study extend previous research to show that men who have sex with men and who have a history of child sexual abuse are more likely to be at high risk for HIV infection.”
“Trauma symptoms, sexual behaviors, and substance abuse: correlates of childhood sexual abuse and HIV risks among men who have sex with men.”
Kalichman SC1
J Child Sex Abus. 2004;13(1):1-15.

* “Letter on the Pastoral Care of Homosexual Persons” (1986).

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