quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Joseph Sciambra: "O porquê de eu ter sido homossexual"

Por Joseph Sciambra

Todas as pessoas que conheci dentro do mundo homossexual chegaram a um ponto das suas vidas onde elas "saíram do armário" com uma história. E não era um história qualquer, mas uma história pessoal de tragédia, mágoa, solidão, luta interna e a eventual auto-afirmação. Algumas poucas tornaram-se adeptas em recontar a história, lembrando-se de quase tudo em relação a um intimidador ["bully"] do recreio infantil, das emoções que sentiram quando, depois de todos terem sido escolhidos, tu passas a ser a última pessoa de pé e ninguém te querer na equipa deles, ou da forma como o teu pai se zangou contigo porque tu estas a dançar de forma inocente como - nas palavras dele - um maricas.

Mais frequentemente, estas narrativas centram-se em redor do pai, que ou estava ausente, ou era desligado, ou era demasiado crítico, violento ou abusivo. Concomitantemente, havia também uma anormal relação de proximidade com a mãe, especialmente aqueles cujas mães vinham frequentemente a São Francisco para lhes visitar, nunca acompanhadas pelos pais mas que mesmo assim falavam de forma suspeitosamente positiva dos seus pais sem no entanto revelarem muitos detalhes.

Por essa altura, não pensei muito nisso porque eu tinha um bom número de memórias do meu passado. Algumas destas histórias eram semelhantes às histórias dos meus amigos, mas outras nem tanto, mas todos nós tínhamos a determinação comum de seguir em frente, superando aquelas dificuldades iniciais, vivendo segundo as nossas regras e tomando conta dos nossos destinos. Só que nós não nos apercebemos que esta falsa sensação de poder nos seria retirada para sempre através do desespero, das doenças, e da morte.

Quando eu era um pequeno rapaz, eu não queria ser gay. Gay era o estranho alter-ego de Jack Tripper em “Three’s Company;” era o primo demasiadamente-feminino do filme “Zorro - The Gay Blade,” e era o que os outros rapazes me chamavam quando eu deixava a bola cair de forma interminável durante as aulas de Educação Física. Eu não queria ser isso.

Mas quando as coisas estavam fora do meu controle - e quando eu não sabia mais do que sabia na altura - uma rapariga mais velha aproveitou-se de mim. Imediatamente fiquei assustado mas ao mesmo tempo fiquei fascinado. Muito provavelmente no mesmo ano, quando tinha cerca de 8 anos, fui exposto à pornografia. Aquelas mulheres estáticas das revistas eram objectos de desejo e evitação. Basta eu olhar para elas para ficar excitado, mas algo dentro de mim não gostava desse sentimento. 

Foi então, sendo já um rapaz circunspecto e tímido, que me tornei ainda mais recluso. Ainda me lembro de passar quase um dia inteiro sem dizer uma única palavra; eu tinha alguns poucos amigos, mas gradualmente comecei a acreditar que eu era tolerado por parte de um grupo similar de miúdos gordos e desajeitados hiper-activos. Quando eu me separava deles, vulnerável e sozinho, ocasionalmente ouvia a palavra "fag" a ser gritada na minha direcção.

Na maior parte das vezes, as raparigas assustavam-me, mas quando atingi a adolescência, por vezes senti-me mais à vontade junto delas do que junto de rapazes. Isto acontecia porque entre a minha primeira e aterradora experiência sexual e a puberdade, comecei a ficar cada vez mais incerto em relação às mulheres: as modelos sem vida da Playboy eram de modo franco do outro mundo no que toca à sua beleza, mas também distantes e icónicas - quase atingido proporções divinas; elas eram de alguma forma seres superiores. 

O feminino em osso e carne quente era aterrador; tal como as imgens pornográficas que ganhavam vida, elas eram controladoras e eu senti que poderia desabar rumo a feminilidade - que seria devorado por ela.  Por outro lado, os rapazes ofereciam algo. Primeiro, eles não eram mulheres, e eles eram mais familiares e menos ameaçadores.

Mas também eles se tornavam estranhos e de alguma forma distantes de mim e da minha percepção de quem eu era visto que eles eram masculinos, e isso era algo que eu admirava e precisava. Eu queria ser como eles, mas não sabia como. Durante o caminho as coisas ficaram confusas e, pensei eu, a masculinidade era algo que eles me poderiam dar, e eu acreditei que isso só poderia ocorrer através do sexo homossexual.

Com o passar dos anos, comecei a acreditar que o homossexualismo ocorre nos rapazes porque há um medo dos homens e uma adulação deles, simbolizado pelo desejo de ser amado pelo pai ausente ou pai que o rejeitou, mas também é medo das mulheres. Regressando para as as histórias dos homens homossexuais, uma amigo meu, que morreu de overdose de drogas, disse-me (alguns anos antes de morrer) que o seu pai abusava dele repetidamente quando ele era criança, e a sua mãe estava por perto, totalmente abstraída e a passando o seu tempo a orar.

Outro amigo meu, um homem que estava sempre a batalhar com o peso, falou da mãe sufocadora que o sobre-alimentou como se ele fosse o marido adulto que lhe abandonou (a ela e aos filhos). E [outro amigo meu], um homossexual rebelde punker, que foi expulso de casa no dia em que veio para casa com um mohawk e um anel no nariz, mas só depois de passar anos a ser depreciativamente comparado o seu colegialmente atlético irmão macho. Este último amigo meu morreu de SIDA.

Devido aos nossos panos-de-fundo igualmente difíceis, cada um de nós chegou a um ponto de auto-aceitação homossexual com experiências diferentes mas também espantosamente semelhantes de rejeição masculina e a inevitável busca por afeição masculina. Todos os nossos pais falharam das mais variadas maneiras, mas as nossas mães ou ficaram por perto sem emoção, e observaram tudo, ou protegeram-nos demasiadamente, e, consequentemente, transformaram-nos em rapazes perpétuos ou rapazes temerosos duma assumida hegemonia feminina.

Portanto, como grupo. nós estávamos tão focados na nossa atracção pelo mesmo sexo, numa tentativa de afirmar a nossa masculinidade, que nós nunca a poderíamos dar a outro. Descobrir que, à medida que fui envelhecendo e me tornei mais sexualmente agressivo e mais dominante com os meus parceiros sexuais, ao colocar a minha personalidade hyper-masculina, eu era elogiado pelos outros homens. Mas ao sobrepujá-los sexualmente eu nada mais estava a fazer do que a tentar provar o meu pervertido  sentido de masculinidade perdida.

Os homens homossexuais, com a nossa masculinidade nunca realizada na plenitude, instintivamente unimo-nos em bandos, quer seja a submetermo-nos perante aqueles que nós entendemos que exibem qualidades mais masculinas, ou a elevar as apostas e a tentar forçosamente provar a nossa superioridade tomando outros homens.

Neste cíclo sem fim de sempre buscar atingir a nossa masculinidade, acabando por perdê-la sempre, não há espaço para o feminino. De forma geral, os homens homossexuais relacionam-se melhor com a mulher quando ela está parcialmente masculinizada na forma de drag queen, ou através da adoração de mulheres agressivas e altamente determinadas, especialmente artistas facilmente caricaturadas - desde Joan Crawford e Beyonce.

Segundo esta ordem de ideias, os homens homossexuais frequentemente têm relacionamentos anormalmente próximos com mulheres, muitas vezes mulheres da família, ao mesmo tempo que ficam totalmente indiferentes aos homens da família. Numa recente Folsom Street Fair conheci um homem jovem, que só estava a usar um jock-strap e que frequentava pela primeira vez, acompanhado pela mãe e pela irmã. No entanto, isto não é anormal visto que as mulheres que têm homens homossexuais na família ou no círculo de amizades, tratam os homossexuais não como homens mas como amigas.

Semelhantemente, os homens homossexuais acham isto incrivelmente confortável, tal como eu fiz quando era adolescente e frequentemente andava perto das raparigas, porque estas mulheres tornam-se não-ameaçadoras tal como quem imita as mulheres. Na escola secundária, embora eu ainda não o tivesse aceite, todas as minhas amigas pensavam que eu era homossexual.

Então, o homossexualismo dos homens torna-se num escudo para com o feminino porque os homens homossexuais têm medo das mulheres; porque os homens heterossexuais são capazes de dar a sua masculinidade às mulheres e vice-versa, mas os homens homossexuais sabem que eles não têm masculinidade para oferecer; porque a busca pela masculinidade é sempre um trabalho em progresso; é o Santo Graal que nunca é atingido; e, consequentemente, nunca dado.

No fim de tudo, tudo o que os homens homossexuais fazem e agarrarem-se às suas histórias porque isto é tudo o que eles têm e é tudo o que lhes define. Consequentemente, os homossexuais nunca se podem mudar para fora deles mesmos, e eles não podem sair para fora do seu sexo visto que tudo aponta para dentro deles, tentando acalmar a criança magoada que se encontra lá escondida.

- http://goo.gl/5oNf4Y

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