segunda-feira, 19 de outubro de 2015

"Aceitando a minha desordem homossexual e apercebendo-me que só Jesus me poderia curar"

Por Joseph Sciambra
"Deus criou-nos para amar e para sermos amados, e desde logo, é um teste de Deus escolher um caminho ou o outro. Qualquer negligência em amar pode levar uma pessoa a dizer Sim ao mal, e quando isso acontece, nós não temos ideia de como isso se pode propagar. Essa é a parte má. Quando alguém escolhe o mal, é então levantado um obstáculo entre essa pessoa e Deus, e a pessoa que se encontra sobrecarregada de maneira alguma consegue ver Deus." ~ Madre Teresa de Calcutá
É possível que eu tenha uma interpretação demasiado ampla, ou demasiado limitada, da citação prévia da Madre Teresa, mas a frase que é muito crucial em termos de homossexualismo é esta:

Qualquer negligência em amar pode levar uma pessoa a dizer Sim ao mal.

Tendo como base a minha experiência como um ex-homossexual, e a experiência de muitos outros que desesperadamente ou de forma convincente gritaram "Sim, sou homossexual!", a negligência a que ela se refere é aquela que ocorre na infância daqueles que ela chamou de "os sobrecarregados". 

Neste ponto, vários estudos demonstraram de forma consistente que os homossexuais adultos são significativamente mais susceptíveis de ter passado por abuso infantil, negligência, ou sentimentos de indiferença por parte de um ou dos dois pais (nos homens homossexuais, é com o pai), e/ou abuso sexual, violência física, ou intimidação por parte de pessoas do mesmo sexo. (Ver notas  1-3)

Desde logo, aqueles que estão sobrecarregados pela sua educação deficiente, ou sadista, são frequentemente abandonados como adultos que têm que lidar sozinhos em termos do seu homossexualismo. Aceitar a orientação e "sair do armário" são considerados actos de coragem, enquanto que pensamentos relativos à cura practicamente não existem ou são considerados como falsa ciência ou homofobia psiquiátrica.

No entanto, os homens homossexuais sofreram um certo tipo de negligência - quer tenha sido por parte dos pais ou devido à rejeição proveniente dos outros rapazes - resultando numa mal-canalizada atracção por pessoas do mesmo sexo. Consequentemente, o desejo por afeição e por amor masculino que os homens homossexuais têm é transferido para os homens, normalmente com a fantasia da afirmação masculina confirmada por uma figura paterna hiper-masculina.

Isto explica a imensa e perene popularidade da assim-chamada pornografia do "papá" dentro da comunidade homossexual. Por este motivo, não é de todo incomum descobrir uma enorme diferença etária entre os parceiros homossexuais masculinos, com o parceiro mais jovem a assumir com frequência o papel passivo e o parceiro mais velho o papel mais dominante. (Ver notas 4 e 5).

Quando são questionados sobre o porquê de voluntariamente enveredarem por comportamentos sexuais de elevado risco, a maior parte dos homossexuais mencionou:

... ansiedade, solidão, depressão....[e] uma forma de buscar prazer e união emocional com outros homens. (6)

Devido ao facto de se experimentar excitação imediata de afirmação masculina através do sexo, o jovem homossexual, já de si extremamente só e em busca de atenção masculina, mal ele entra no mundo homossexual embarca numa viajem normalmente desenfreada e, essencialmente, auto-destrutiva de excesso sexual porque pela primeira vez na vida, ele sente como se a necessidade há muito enterrada está a ser satisfeita.

Um estudo focado nos homens homossexuais e nos seus hábitos sexuais iniciais apurou que os mesmos "eram caracterizados por taxas relativamente elevadas de sexo anal sem protecção e por um reportório sexual em expansão acelerada." (7)

A minha própria vida encaixa-se de forma perfeita neste cenário do rapaz perdido e isolado que entra na comunidade homossexual inicialmente não em busca de sexo , mas simplesmente em busca de amor. Mas, e tal como avisou a Madre Teresa, sem nunca perceber o quão longe isto avançaria. Como o Homem foi feito para dar e receber amor, quando nos apercebemos que nem recebemos e nem damos amor, passamos a ficar inquietos e mais inclinados a fazer qualquer coisa para que isso aconteça.

Foi devido a isto que eu, e no ponto mais alto da primeira crise da SIDA, arrisquei a minha própria vida para encontrar o amor que eu desesperadamente precisava. Tal como muitos da minha geração, dei por mim com homens com o dobro da minha idade. Inicialmente, foi uma experiência surpreendente ser gostado e desejado por outros homens, depois de passar anos e anos à parte, fazendo amizade com as raparigas e não com os rapazes, e a desesperadamente admirar os homens de longe.

De repente, eu já não era um estranho e tudo parecia certo e bom. Era como se a minha vida anterior, cheia de dor, solidão e isolamento, tivesse finalmente chegado ao fim; que ser homossexual, e aceitar que eu era homossexual, tivesse dado início à realização de quem eu realmente estava destinado a ser; lá, pensei eu, iria por fim encontrar felicidade duradoura.

O problema é que o sexo é fugaz, e as associações e as relações dentro do mundo homossexual são normalmente transitórias, na melhor das hipóteses, e altamente susceptíveis à pervasiva monotonia sexual do homossexualismo masculino que rotineiramente precisa de "aberturas" da relação a parceiros externos. (8) Porque, ao contrário das duplas heterossexuais que envelhecem e vão ficando mais confortáveis um com o outro, a agitação normalmente é a regra dentro dos espinhosos relacionamentos 100% masculinos, que continuamente se desintegram à medida que a novidade das primeiras aventuras sexuais juntos se vão tornado mais rotineiras. (9)

Descobri que isto é o que aconteceu vez após vez, à medida que os meus namorados, que eram sempre mais velhos - especialmente nos primeiros anos depois de ter "saído do armário", -  terem de certa forma preenchido a minha necessidade adolescente por atenção e encorajamento masculino. De forma bem doentia, fiquei para sempre atrofiado como um rapaz.

Por exemplo, tu finges e começas a chamá-lo de "papá" durante o acto sexual, e de forma curiosa começas a sentir confiança e de certa forma reconhecido na tua masculinidade.  Só que mais tarde te apercebes que este homem não é o teu pai, e nem é o rapaz que gozou contigo quando eras criança, e nem é o rapaz heterossexual por quem te apaixonaste na escola secundária - aquele que nem sabia que existias.

Consequentemente, sentir atracção por homens e ter sexo com eles não resolve nada; de facto, quando nos conformamos com a orientação, subscrevemos a ideia de que estas atracções são saudáveis, ou pelo menos proporcionalmente benignas, e que, apesar da vasta maioria da população masculina ser heterossexual, nós não somos anormais mas apenas únicos.

É então que a dor da infância é enterrada mais profundamente a cada relação subsequente. Só que quanto mais tempo ficamos no mundo homossexual, mais rapidamente nos apercebemos que estamos longe de sermos excepcionais, e que quase todos os outros homens homossexuais partilham uma história espantosamente semelhante à nossa.

Depois de 10 anos no mundo homossexual, e depois de, involuntariamente, mas mesmo assim, de forma metódica, ter reencenado quase todos os traumas que ocorreram durante a minha infância - desde a minha obsessão pré-púbere pela pornografia para a minha tristeza sobrepujante por ter sido rejeitado por muitos dos homens da minha vida - entendi de maneira subconsciente que já nada estava a funcionar, e fiquei cada vez mais desesperado e disposto a correr ainda mais riscos.

Curiosamente, eu ainda busquei a salvação nos braços de outro homem; quem quer que fosse esse rapaz perturbado fosse dentro de si, ele apenas foi empurrado mais para o fundo. Na minha cabeça, a resposta ainda existia fora de mim, algures dentro da realidade da minha orientação homossexual; devido a isso, eu ainda precisava de um homem e tinha que ser amado por um. Por vezes esta fixação era tão forte que eu deixava tudo, e dirigia-me apressadamente para a loja pornográfica mais próxima, ou sauna mais próxima, como forma de me encontrar com qualquer estranho.

Tudo isto era triste e descuidado, mas pelo menos era alguma coisa. No entanto, esta atitude faz parte do estilo de vida homossexual: quanto mais tu ficas dentro dele, mais preso tu ficas. Invariavelmente tu és usado e largado pelos teus primeiros amantes, contrais algumas DSTs, vais ficando cada vez mais amargo e desconfiado, o tormento da infância regressa à medida que te começas a sentir rejeitado e esquecido por parte dos homens.

Podes até passar a ser seropositivo, e nesse ponto, ficas com a sensação de que pouco ou nada tens a perder. Mais perto do fim, não havia nada que eu não fizesse como forma de, duma vez por todas, acabar com esta dor no meu coração - mesmo que tivesse que morrer tentando.

Antes disso, assisti impotente os meus amigos a serem abatidos pela SIDA; um deles havia crescido sem o amor do pai; o outro havia sido [emocionalmente] sufocado pela mãe; o outro havia sido vítima dum horrível abuso infantil. Acho que todos nós lidávamos com as coisas como podíamos. A dada altura, os nossos caminhos convergiram até São Francisco, e de forma colectiva, nós pensamos que havíamos encontrado a nossa cidade sobre o monte.

Quando eles morreram, um a um, a minha reacção foi relativamente estanha; não cheguei a lamentar, mas caminhei penosamente para frente, rumo ao meu objectivo. Orgulhosamente, pensei comigo que seria diferente. Só que acabei por me afundar no mesmo poço de desolação e trevas dentro do qual eles haviam mergulhado. Mas mesmo assim, eu ainda acreditava. O sonho homossexual nunca chegou a morrer na minha imaginação. De alguma forma, e algum lugar para além do arco-íris, este peso iria milagrosamente desaparecer.

Só que não desapareceu. Lentamente, voltei ao isolamento da minha juventude; os meus amigos e os meus amantes morreram; os poucos que continuaram vivos envolveram-se em cenas fetiches bizarras. Outros houve que se uniram e saíram da ansiedade [da vida homossexual], e de modo intermitente convidaram-me para um trio sexual. Longe estava a explosão e excitação que senti quando, com 18 anos, fui pela primeira vez abordado quando me encontrava num bar homossexual, pouco depois de ter "saído do armário".

Eu sabia instintivamente que ninguém me iria salvar. Eu não sabia o que fazer visto que não havia nada mais em que acreditar. Devido a isso, não fiz nada. Eu não conseguia ver uma saída; eu era homossexual e não existiam outras opções.

Eu não sei o porquê de eu ter sido poupado enquanto outros não o foram, mas eu não sou diferente deles visto que eu teria ficado. No entanto, e totalmente do nada, apareceu um Homem. Inicialmente, tal como todos os homens que eu havia encontrado no passado, tive vontade de estar com Este Homem, mas ao mesmo tempo. tive medo. Dentro do meu deturpado sentido de cosmologia, unido com a percepção que unia tudo com o sexo homossexual, pensei para comigo:

Será que Ele será o meu Novo "papá", o meu novo Pai? Mas Ele não era também o Filho?

Pelo contrário, Cristo transcendia tudo isso, mas ao mesmo tempo, Ele transformava e preenchia tudo. Porque quando Cristo me tocou, Ele tocou-me como Pai e como Filho; como compassivo, protector, a Figura Forte que eu havia passado toda a minha vida em busca. Mas, Ele também era o Filho - no sentido Pai-Filho.

Elevado até ao Divino, passei por um processo de cura através do qual partilhei com Cristo a Sua infância até Se tornar num Homem. Tudo começou com a minha adopção como o "filho de José", "Não é Este o Filho de José?" (Lucas 4:22)

Muito provavelmente esta foi a parte mais dolorosa e mais realizadora do processo de cura - aceitar o papel e a importância da paternidade e da masculinidade na minha vida; como as coisas haviam corrido mal durante a minha infância, incluindo os meus sentimentos de inadequação, rejeição masculina, e o frequente e sobrepujante desejo de receber aprovação por parte dos outros homens - e estas conflituosas e dolorosas emoções que por fim me levaram a acreditar que era homossexual, e me levaram a entrar dentro do estilo de vida homossexual.

Durante esta viagem inicial, uma presença constante era o arquétipo masculino representado por São José - alguém que era forte e silencioso, mas pacientemente cuidadoso; enormemente masculino, mas só atingido o estado de perfeição ao dar amor ao Filho; em Cristo, este amor atinge a sua afirmação mais completa. Finalmente, consumado e recebido através do Espírito Santo; então, houve a cura decisiva quando ouvi as palavras:

Tu és o Meu Filho Amado, em Ti Me comprazo. - Lucas 3:22

Em Cristo, encontrei o Único homem que me poderia consertar: que poderia curar o amedrontado rapaz que se encontrava no interior, aquele que não sabia atirar uma bola, que foi espancado na escola, que se sentiu mal-amado, que pensou que era homossexual. Jesus tomou todo o peso e deu-me algo novo; Ele mostrou-me o que nenhum toque dum homem humano poderia suplantar, ou substituir, o que Deus já havia pré-determinado: que eu partilhava de modo infinito no Amor completo do Pai pelo Seu Filho.

- http://goo.gl/2YFWwU

1. “This retrospective study compares memories of the father-son relationship between lifelong socially well-adjusted, non-patient homosexual and heterosexual men. No homosexual subject reported the presence of a reasonably intact, positive relationship with his father or father surrogate during preadolescent years, whereas 12 of the 17 heterosexual men did. Previous investigators have hypothesized that a constructive, supportive father-son relationship precludes the development of homosexual orientation. This hypothesis stemmed from investigation of men who in general suffered from significant global psychopathology. The data in the present investigation supports the notion that a meaningful association, which is not attributable to confounding psychopathology, exists between quality of father-son relationship during early life and male sexual orientation.”
“Fathers, sons, and sexual orientation: replication of a Bieber hypothesis.”
Friedman RC, Stern LO.
Psychiatr Q. 1980 Fall;52(3):175-89.

2. “Homosexual/bisexual men reported higher rates than heterosexual men of childhood emotional and any physical maltreatment (including major physical maltreatment) by their mother/maternal guardian and major physical maltreatment by their father/paternal guardian. In contrast, homosexual/bisexual women, as compared to heterosexual women, reported higher rates of major physical maltreatment by both their mother/maternal guardian and their father/paternal guardian. Differences among individuals with differing sexual orientations were most pronounced for the more extreme forms of physical maltreatment.”
“Reports of parental maltreatment during childhood in a United States population-based survey of homosexual, bisexual, and heterosexual adults.”
Heather L. Corliss, Susan D. Cochran, corresponding author and Vickie M. Maysb
Child Abuse Negl. 2002 Nov; 26(11): 1165–1178.

3. “Results indicated that homosexual seminarians feel more emotional distance from their fathers than heterosexual seminarians. Whether these accurately reflect the emotional distance between the father and seminarian during earlier childhood is not definitive. Attachment theory (Bowlby, 1969, 1973, 1980) and family of origin theory posit that the structure of relationships with one’s parent is lifelong, a ‘straightforward continuation’ (Bowlby, 1969, p. 208) of attachments in childhood. More recent studies suggest that attachments can be modified through ongoing interactions (Bartholomew & Perlman, 1994; Shaver & Hazan, 1993). These findings are consistent with the ‘weak father’ theory of the etiology of homosexuality, however, cross-sectional associations do not directly address the underlying causal role of emotionally absent fathers. These findings can speak of a lack of childhood male role model (Bieber et al., 1962; Socarides, 1990), especially in the area of intimacy and relationships, or they could speak of the poverty of a present satisfying emotional connection with the father, needed to promote the development of a healthy sexual identity (Alexander, 1997).”
“Emotionally Absent Fathers: Furthering the Understanding of Homosexuality”
Ray A. Seutter, Martin Rovers
Journal of Psychology and Theology
2004, Vol. 32, No. 1, 43-49

4. http://www.josephsciambra.com/2015/06/gay-marriage-its-not-about-being-gay-or.html

5. “Do differences in age between sexual partners affect sexual risk behaviour among Australian gay and bisexual men?”
Prestage G, Jin F, Bavinton B, Scott SA, Hurley M.
Sex Transm Infect. 2013 Dec;89(8):653-8.

6. “Assessing motivations to engage in intentional condomless anal intercourse in HIV-risk contexts (“bareback sex”) among men who have sex with men.”
José A. Bauermeister, MPH, PhD, Alex Carballo-Diéguez, PhD, Ana Ventuneac, PhD, and Curtis Dolezal, PhD
AIDS Educ Prev. 2009 Apr; 21(2): 156–168.

7. “Early male partnership patterns, social support, and sexual risk behavior among young men who have sex with men.”
Glick SN, Golden MR.
AIDS Behav. 2014 Aug;18(8):1466-75.

8. “Specifically, 45% had monogamous agreements, 47% had open agreements, and 8% reported discrepant agreements.”
“Relationship Characteristics and Motivations behind Agreements among Gay Male Couples: Differences by Agreement Type and Couple Serostatus.”
Colleen C. Hoff, PhD et al.
AIDS Care. 2010 Jul; 22(7): 827–835.

9. “As relationship length increased, the proportion of couples who disagreed about their current agreement type increased. No direct trend was found for recent adherence to an agreement; however, the likelihood of ever breaking an agreement increased as relationship length increased.”
“Aspects of gay male couples' sexual agreements vary by their relationship length.”
Mitchell JW
AIDS Care. 2014;26(9):1164-70.

10. “…36.0% reported participating in at least one GSE [group sex event] in the prior year. In multivariable logistic regression analysis, attendance at a GSE in the past year was significantly associated with older age, full/part time employment and being HIV positive. Of the men who attended a GSE, more than half reported condomless anal sex (CAS) with at least one of their partners (insertive: 57.7%; receptive: 56.3%).”
“Engagement in group sex among geosocial networking mobile application-using men who have sex with men.”
Phillips G, Grov C, Mustanski B.
Sex Health. 2015 Aug 10.

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