sábado, 14 de junho de 2014

Os livros eram fachada para a pornografia - Parte 1

Quando eu vivia Austin, Texas, durante o meu tempo de estudante de pós-graduação, existia uma livraria "gay" com o nome de Lobo. O layout era interessante. Olhando de fora para dentro, tudo o que se viam eram livros. Parecia uma livraria normal. Havia uma secção dedicada a escritores de ficção "gay" tais como Oscar Wilde, Gertrude Stein, e W.H. Auden.

Havia também biografias de ícones proeminentes tais como Walt Whitman, que provavelmente aceitaria a etiqueta de homossexual, mas outros, tais como o ídolo de Whitman, o Presidente Lincoln, haviam sido listados à causa com base em nada mais que um mau casamento ou uma intensa amizade com outro homem. Havia apaixonantes memórias homossexuais modernas e relatos históricos das origens e do desenvolvimento do movimento dos "direitos gay". 

A livraria parecia inócua e, de um modo desarmante, muito bourgeois. Mas se entrássemos dentro da livraria, repararíamos imediatamente numa outra secção, escondida para quem olha de fora para dentro.

A secção pornográfica

Centenas e centenas de vídeos pornográficos, envolvendo apenas homens, mas lidando com todos os gostos possíveis e fantasias imaginárias. Para além disso, notaríamos noutra coisa. Não havia clientes na parte frontal da livraria [onde estavam os livros]. Todos os clientes encontravam-se na parte traseira da livraria, enraizando-se entre os vídeos. Tanto quando sei, eu fui a única pessoa que alguma vez chegou a comprar um livro na livraria Lobo. Os livros eram, de forma bem directa, uma fachada para a pornografia.

Então, para quê gastar milhares de dólares em livros que ninguém iria comprar? Era por demais óbvio através da secção "Saldos" que apenas uma pequeníssima parcela dos livros chegava a ser vendida ao preço original. Os donos da Lobo aparentemente estavam a gastar muito dinheiro em novelas gay e obras da história gay, quando o verdadeiro dinheiro se encontrava na pornografia. Mas o dinheiro gasto nos livros não era mal investido. O mesmo era usado para comprar algo que, para a comunidade homossexual, era muito mais precioso que o ouro: a respeitabilidade. 

Respeitabilidade e a aparência de normalidade. Sem esse investimento, nós não estaríamos envolvidos num debate sério em torno da legalização do "casamento" entre pessoas do mesmo sexo. Durante a altura em que eu vivia em Austin, eu já me identificava como homossexual há 20 anos. Tendo como base a experiência adquirida durante estes anos, reconheci na Lobo a metáfora usada para se vender a ideia dos "direitos gay" ao povo americano, e para a sórdida realidade oculta.

Esta é a forma como eu desconstruo a livraria Lobo. Existem dois tipos de pessoas que olharão através da janela: aqueles que são tentadas a se envolver em actos homossexuais, e aquelas que não são tentadas a esse nível. Para aqueles que não são, as prateleiras com os livros transmitem a mensagem de que os homossexuais não são diferentes do resto da sociedade, e que a homossexualidade não está errada; ela apenas é diferente. 

Como a maior parte deles nunca saberá muito mais em torno do homossexualismo para além do que observaram através da janela, essa impressão é de uma importância política e cultural enorme uma vez que é sobre essa base que irão reagir sem qualquer tipo de alarme, ou mesmo dando o seu apoio activo, aos direitos dos homossexuais.

Existem milhões de americanos bem-intencionados que apoiam os direitos dos homossexuais porque acreditam que o que vêem quando olham para dentro é o que realmente se encontra por lá. Não lhes passa pela cabeça que o que eles estão a ver é um esforço cuidadosamente construído para os manipular, distraindo-os da verdade com a qual que eles nunca concordariam.

Para aqueles que se sentem tentados em levar a cabos actos homossexuais, a visão que eles têm a partir da rua é consoladora visto que faz com que o estilo de vida homossexual não parece ameaçador, mas sim normal. Mais cedo ou mais tarde, estas pessoas irão parar de olhar pela janela e entrar dentro do estabelecimento. Ao contrário dos compradores de janela, estes não ficarão distraídos com os livros por muito tempo. 

Eles irão descobrir imediatamente a existência da secção de pornografia. E independentemente do quão desagradados eles fiquem inicialmente (se eles de facto ficarem desagradados), eles irão notar que a secção de pornografia é onde todos os clientes de encontram, e eles sentir-se-ão ridículos por serem os únicos a ficar entre os livros. Eventualmente, eles irão encontrar o caminho até à pornografia, juntamente com o resto do clientes. E, tal como todos os outros, eles irão começar dedicar a sua atenção aos vídeos.

E, caro leitor, é aí que a maior parte deles ficará para o resto das suas vidas, até que Deus ou a SIDA, as drogas ou o álcool, o suicídio ou a idade avançada solitária, intervenham.

Ralph McInerny disponibilizou uma brilhante definição do movimento em torno dos direitos dos homossexuais: auto-decepção como esforço conjunto. No entanto, a decepção do grande público é também vital para o sucesso da causa, e em nenhuma outra área as formas de decepção são notoriamente e espantosamente mais bem sucedida do que na campanha para persuadir os Cristãos de que, parafraseando o titulo dum livro recente, [removido por motivos de blasfémia], e que as igrejas deveriam abrir as suas portas aos amantes homoeróticos.

O movimento homossexual "Cristão" depende dum estratagema que é audaz e desonesto. Eu sei, porque durante muito tempo eu fui levado por ele. Tal como os donos da livraria Lobo, o seu sucesso depende de se camuflar a verdade que se encontra o tempo todo "escondida" à vista de todos. Não é de admirar que o livro "O Mágico de Oz" seja tão ressonante entre os homossexuais. "Nao liguem no homem por trás da curtina"  poderia ser o lema e o mantra de todo o movimento. 

Nenhum livro foi mais influente na minha decisão de "sair do armário" que o livro "clássico" do, agora, ex-Padre John McNeill com o nome de "The Church and the Homosexual". Esse livro é para "Dignity" o que "O Manifesto Comunista" foi para a Rússia Soviética.

A maior parte do livro centra-se na disponibilização de  interpretações alternativas às passagens Bíblicas que condenam o homossexualismo, e na colocação dos escritos anti-homossexualistas dos Padres da Igreja, e dos escolásticos, num contexto histórico duma forma que os torna irrelevantes e até ofensivos para os leitores modernos.

A impressão inicial dum leitor ingénuo e sexualmente confuso como eu era a de que McNeill estava a disponibilizar uma alternativa plausível aos ensinamenttos tradicionais. Isso fez-me sentir justificado em sair do armário. Eram os seus argumentos persuasivos? Francamente, nem me interessava nisso, e não acredito que a maior parte dos leitores de McNeill também se interessassem. Esses argumentos foram redigidos com a linguagem da erudição e soavam plausíveis. Isso era tudo o que importava.

McNeill, tal como todos os membros do seu campo, tratavam o homossexualismo antes de mais como um debate em torno da interpretação própria dos textos - tais como a história Bíblica em torno de Sodoma e os artigos relevantes da Summa. A implicação é que, mal essas passagens fossem reinterpretadas, ou tornadas irrelevantes, os apologistas homossexualistas teriam prevalecido e a porta estava aberta para que os homossexuais activos andassem de cabeça erguida dentro das igrejas. E há um certo sentimento de que isto ficou provado como verdadeiro. 

Visto que o debate focou-se na interpretação de textos, os apologistas homossexuais ganharam para si um nível espantoso de legitimidade. Mas, como qualquer pessoa conhecedora da história do Protestantismo deverá saber, a interpretação de textos é um processo interminável. Os esforços de pessoas como McNeill não têm que ser persuasivos mas apenas úteis.

Esta é a forma como as coisas funcionam: McNeil reinterpreta a história de Sodoma, alegando que ela não condena o homossexualismo mas a violação colectiva. Os teólogos ortodoxos respondem duma forma comendável mas ingénua, tentando refutá-lo - ingénua porque estes teólogos realmente acreditam que McNeill acredita nos seus próprios argmentos, e escreve como um escolástico e não como um propagandista. McNeill ignora os argumentos dos seus críticos, qualificando as suas objecções de "homofobia", e repete a sua posição original. Os ortodoxos respondem outra vez, como se realmente estivessem a lidar com um teólogo. Para a frente e para a trás durante algumas trocas.

Finalmente, McNeill ou alguém como ele levanta-se e diz:

Sabem duma coisa? Não estamos a avançar. Nós temos a nossa exegese e vocês têm a vossa. Porque é que não concordamos em discordar?

Isto soa tão razoável e tão ecuménico, mas se os teólogos ortodoxos aceitarem, eles terão perdido o jogo visto que os apologistas do homossexualismo ganharam um espaço na mesa de onde eles nunca mais serão removidos.

Chegar à verdade em torno de Sodoma e Gomorra, ou fazer a interpretação correcta da ética de São Tomas,  nunca foi o objectivo; obter a admissão para a Santa Comunhão era o objectivo.

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