quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O primeiro divórcio gay da história da humanidade

A jovem mulher deu o último suspiro na cama rodeada dos seres queridos e morreu.
A mãe chorava inconsolavelmente. Alguns amigos também choravam, outros cochichavam entre eles.
O corpo debilitado da jovem mulher, agora inerte, não resistiu às infecções oportunistas e entrou em colapso geral.
Esta é uma cena muito comum em alguns hospitais, onde milhares de pacientes de AIDS lutam para sobreviver e acabam morrendo sem glória nem honra.
Não era o caso dessa moça jovem. Morreu honrada e glorificada pela imprensa nacional, pelos grupos de direitos humanos, pela toda-poderosa média televisiva, pela Internet, por muitos artistas, pelos travestis e por todos os que participam, apoiam ou simpatizam com a causa gay.
Ela era a primeira divorciada dum “casamento” gay no mundo. Uma dupla vitória segundo o olhar dos progressistas. Ela tinha se casado em cartório com outra mulher, e depois de aguentar inúmeras infidelidades conjugais e violência doméstica, se divorciou, tornando-se a primeira divorciada de “casamento” gay do planeta. Ela tinha 34 anos apenas.
A mídia fala pouco das doenças sexualmente transmissíveis entre lésbicas. Aliás, a mídia quase não fala dos problemas de saúde dos homossexuais, fazendo de conta que as doenças não existem. O quadro muda quando conversamos com os médicos, a enfermagem, os assistentes sociais, os padres e os pastores que atendem aos doentes. Mas ninguém faz marketing do que estes heróis anónimos sabem.
Desde a adolescência, esta mulher sofreu várias infecções sexualmente transmissíveis sem ser uma prostituta. Era apenas uma jovem lésbica segundo o padrão das telenovelas e dos filmes brasileiros: uma lésbica normal.
Ela teve clamídia, herpes e gonorreia varias vezes.
Com o sistema imunológico enfraquecido, pegou HIV de alguma maneira que as estatísticas insistem em ignorar, e depois de muita luta, morreu com o nome publicado em todos os jornais nacionais e internacionais. Fizeram dela uma nova Joana d'Arc, uma invenção maluca dos marqueteiros que conseguiram associar a pequena pastora de Domrémy com a primeira lésbica divorciada do mundo, não sei como. E as massas, como quase sempre, acreditaram.
Não é novidade o que aconteceu na sociedade por causa da sua morte: missas, minutos de silêncio, passeatas solidárias e palestras recordavam a jovem mártir, a primeira divorciada lésbica do planeta, uma brasileira.
Mais uma ONG foi criada, para apoiar as vítimas da violência doméstica nos matrimónios gay. É dizer, nada mudou depois da legalização. Para dizer verdade, o orçamento público ficou mais caro para pagar as novas delegacias especializadas em violência doméstica gay. O número de divórcios gays aumentou consideravelmente depois do caso de nossa nova heroína.
Depois de “desencarnar”, como dizem alguns brasileiros, ela entrou num túnel escuro, sem sentir as constantes dores vaginais por causa da clamídia nem as terríveis enxaquecas pela febre alta da AIDS.
Ela se surpreendeu ao perceber que continuava com vida consciente depois de morrer.
Ela caminhou no famoso túnel escuro sentindo um som grave, compassado, como o da batida rítmica da música duma discoteca. Punch-punch-punch!
À medida que ela caminhava em direcção à luz no fim do túnel, o som “disco” era mais intenso, ressoando no chão e nas paredes. Era muito semelhante ao som que se ouve na entrada das boates que frequentava na região próxima à avenida Paulista.
O som rítmico e grave de balada lhe deu certa tranquilidade. Sorriu e pensou “deve ser o Paraíso gay, uma eterna balada ao som da música electrónica. Nada mal!
A luz no fim do túnel mudava de tons em fagulhas azuis, fúcias e vermelhas que se alternavam, como as luzes “laser” das boates. “Que bom!” ela disse para si mesma. E andou mais rapidamente para entrar logo na festa enquanto ouvia certa gritaria que lembrava as vozes festivas das pistas de dança. Se sentiu animada e pensou: “Olha só! Se soubesse que era assim, teria vindo antes!” sentindo aquele entusiasmo que invadia seu coração indo para as baladas da cidade.
À medida que ela caminhava, o volume da batida grave era mais intensa e as os feixes das luzes eram mais brilhantes.
De repente, aparece a silhueta de um homem vestido de preto, parado no fim do túnel. “Deve ser o leão de chacra” pensou ela, recordando aqueles porteiros vestidos de preto que ficam parados nas portas de entrada das baladas, para seleccionar o público que desejava entrar na boite.
Ela nunca foi barrada nas baladas. Ela vestia a roupa da moda, os decotes exagerados, as mini-saias, o cabelo arrumado. Ela não era o tipo de lésbica masculinizada. O visual de modelo sexy sempre lhe garantia o acesso nas melhores baladas da cidade. Não seria agora que seria barrada nesta grande balada eterna! “Eu mereço” disse para si mesma pronta para enfrentar orgulhosa o guardião da porta.
E não foi barrada.
Assim ela que se aproximou do porteiro, vieram outros três guardiões vestidos de preto, e os quatro a seguraram pelas pernas e os braços. Ela não conseguiu se safar deles e logo percebeu que algo estava errado.
Como naquela brincadeira de lançar a pessoa na piscina, os quatro guardas de preto, rindo às gargalhadas, a seguraram fortemente, balançando-a e arremessando-a longe, para o centro daquele imenso salão.
Ela voou e caiu dando um alarido, que se perdeu no som ensurdecedor daquele lugar.
O som grave das batidas não era de música. Era o som dos corações múltiplos de uns vermes gigantes que nunca morrem, entrelaçados numa infinidade de corpos humanos lançados naquele lugar. Era uma sopa macabra de vermes e gente.
As luzes psicadélicas eram das chamas que flamejavam vindas de baixo dos vermes. As faíscas e as explosões eram por causa dos corpos humanos que inexplicavelmente continuavam vivos e que nunca se terminavam de consumir num fogo que nunca cessava.
Os quatro guardiões vestidos de preto não eram homens. Eram demónios, aqueles cuja existência ela sempre havia negado durante sua vida mortal. Agora era tarde reconhecer que tudo aquilo que a Bíblia dizia era verdade.
Na superfície da terra, as igrejas fechavam as portas por falta de crentes. Os congressos dos países do mundo festejavam as novas leis que mergulhavam a humanidade numa era de confusão sem precedentes na história da humanidade.
O Céu chorou por mais uma alma perdida. Deus tinha planos melhores para ela. Infelizmente ela ignorou o Criador.
Jesus Cristo disse:
“Mas qualquer que fizer tropeçar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e que fosse lançado no mar. E se a tua mão te fizer tropeçar, corta-a; melhor é entrares na vida aleijado, do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga. [onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga.]

Ou, se o teu pé te fizer tropeçar, corta-o; melhor é entrares coxo na vida, do que, tendo dois pés, seres lançado no inferno. [onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga.]

Ou, se o teu olho te fizer tropeçar, lança-o fora; melhor é entrares no reino de Deus com um só olho, do que, tendo dois olhos, seres lançado no inferno. onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga. Porque cada um será salgado com fogo.

Bom é o sal; mas, se o sal se tornar insípido, com que o haveis de temperar? Tende sal em vós mesmos, e guardai a paz uns com os outros. Marcos 9:42-50.

(Este conto é ficção. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência. Os factos relatados não aconteceram e são fruto de licença literária).

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