quarta-feira, 9 de julho de 2014

"O meu marido decidiu que era uma 'mulher', e isso acabou com o nosso casamento e com os meus relacionamentos futuros"

O que é que acontece quando uma boa rapariga Católica casa-se com o homens dos seus sonhos e um dia ele diz que ele pensa que é uma mulher? Segundo um artigo autobiográfico presente no Sydney Morning Herald, isso destroça um coração e pavimenta o caminho para uma vida de relacionamentos emocionalmente atrofiados; o mesmo artigo pede à sociedade que leve em consideração "o outro lado" do debate em torno dos transgénero.

A mulher, cujo nome foi mantido secreto, tinha 18 anos quando conheceu "Ryan", um músico que lentamente foi entrando no seu coração. O seu sentido de humor fez com que a auto-definida "boa rapariga Católica" se apaixonasse pelo jovem, que estava a tentar ter sucesso dentro da cena musical Australiana nos anos 80. Quando ele lhe pediu que ambos se mudassem para Melbourne, ela pensou duas vezes. "Eu não queria viver em pecado", escreveu ela, e como tal, ele pediu-lhe em casamento.

Embora ela fosse de opinião que a sua vida era idílica, ele passou a ser taciturno e recluso. Pouco depois, ele abandonou-a, deixando-lhe uma carta onde ele afirma que se sente uma mulher presa dentro do corpo dum homem. Ela diz:

Nessa noite não houve qualquer tipo de conversa, mas só algo do tipo "Amo-te, e vou continuar a amar-te mesmo depois de passar a ser uma mulher". A minha atitude foi algo do tipo "Podes ser um lobisomem ou uma mulher, mas não me abandones".... Acho que o Ryan pensou que tudo continuaria na mesma mesmo depois dele se tornar numa mulher.

Mas um dia ela chegou a casa e ficou chocada por vê-lo a assistir televisão usando uma das roupas dela.

Passei um longo tempo a pensar se quando se ama alguém, o género dessa pessoa realmente importa. Não consegui ter outra resposta que, sim, importa.

Apesar dos seus esforços de manter um casamento saudável, o impulso de Ryan de ter auto-realização e satisfação matou o seu relacionamento e deixou a mulher com o coração partido. Ele saiu de casa e submeteu-se a uma cirurgia de implante mamário, chegando a ligar para a sua esposa a perguntar se ela lhe poderia trazer um sutiã Playtex Cross-Your-Heart tamanho 16.

O nosso divórcio foi mútuo e ele foi finalizado em 1990. Ryan estava tão consumido pela sua mudança que o nosso casamento tornou-se secundário.

Ela disse que o seu ex-marido "avançou rapidamente com a sua vida, encontrando outro transsexual homem-para-mulher num dos encontros entre transgéneros. Eu estava fora do país quando o seu novo parceiro me ligou para dizer que o pénis de Ryan havia sido removido com sucesso."

Ela disse que ficou sem reacção antes de responder que o novo parceiro do ex-marido provavelmente acreditava que isso eram "boas notícias". Mas isso terminou com aquele que foi o capítulo mais feliz da minha vida. "O homem que eu havia amado deixou de existir."

O fim de casamento de cortar o coração deixou-a emocionalmente marcada e incapaz de se comprometer com outra pessoa.

Tive relacionamentos, a maioria deles breves, e não permiti que eu voltasse a apaixonar-me. Não me arrependo do meu casamento, visto que ele me deu alegria durante muitos anos. Certamente que não culpo o Ryan nem a mim mesma pelo que aconteceu, mas lamento as repercussões da sua decisão de alterar a sua anatomia.

A sua história, um conto raro sobre a forma como a transição dum transgénero prejudica aqueles que lhe são próximos e que lhe amam, foi disponibilizada como forma de alargar o debate em torno da práctica (que é mais aceite na Austrália culturalmente liberal).

A maior parte das histórias dos transgénero são contadas do ponto de vista da pessoa que muda, e não do ponto de vista da família. Acho que é importante que se conte o outro lado da história visto que os efeitos têm um alcance bem amplo junto daqueles a quem isto afecta.

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