Quando Francois Hollande e os socialistas franceses atingiram o
poder em Maio deste ano, a aprovação do "casamento" homossexual, bem
como a aprovação de outras medidas anti-vida e anti-família, pareciam
inevitáveis. No entanto, e passados que estão alguns meses, Hollande e
os seus aliados encontram-se na defensiva depois dos seus planos terem
sido recebidos com uma oposição forte. Essa resistência é liderada por
André Vingt-Trois, Arcebispo e Cardeal de Paris.
Vingt-Trois, tal como os líderes Protestantes, Judeus e Muçulmanos,
expressaram de forma assertiva a sua oposição a estas medidas, e
receberam o apoio de políticos conservadores e activistas pró-vida que
organizaram um protesto de alerta no dia 23 de Outubro. Outros
protestos de dimensão ainda maior estão agendados para os dias 17 e 18
desde mês.
O resultado consequente foi uma alteração significativa na opinião
pública, cujas sondagens haviam revelado de modo consistente um apoio
ao "casamento" homossexual e ao aborto. Segundo sondagens recentes
levadas a cabo pela IFOP, comissionadas pela revista Le Figaro,
a oposição à adopção homossexual aumentou 10% em apenas um mês,
resultando numa maioria de 52% contra. Numa aparente resposta ao
clamor, os socialistas adiaram o debate em torno da proposta de lei
para o próximo ano.
O
Cardeal Vingt-Trois está a apelar às pessoas que entrem em contacto com
os seus representantes e façam saber a sua oposição ao que os
socialistas classificam de "casamento para todos." Recentemente
Vingt-Trois disse ao seguinte à imprensa:
Uma
visão do ser humano que não reconheça diferenças sexuais seria uma
decepção que abalaria os fundamentos da nossa sociedade e estabelecer
formas de discriminação contra as crianças.
Denunciando "a pressão ostensiva de certos lobbies",
Vingt-Trois acrescentou:
Isto
não seria 'casamento para todos' mas sim casamento imposto a todos por
parte duns poucos. Continuamos a apelar aos Cristãos e a todos que
partilham da nossa perspectiva, que entrem em contacto com os seus
representantes, escrevendo-lhes cartas, levando a cabo encontros e
expressando-lhes as suas convicções.
A oposição de Vingt-Trois e ecoada por Claude Baty, líder da Federação Protestante de França e que afirma que "na criação, existe uma vontade de distinguir os sexos", e pelo Rabino Chefe de França, Giles Bernheim, que avisa que os activistas homossexuais buscam formas de "derrubar de forma definitiva" as diferenças sexuais.
A revolta tem também sido conduzida por vários mayors
em jurisdições mais suburbanas e rurais, que declararam abertamente que
não realizarão "casamentos" homossexuais, mesmo que a proposta de lei
seja aprovada. Entre estes, o mais proeminente é Francois Lebel, mayor
do 8º "Arrondisement" de Paris, que de modo destemido confrontou as sensibilidades liberais em Outubro último:
Amanhã,
como é que alguém se oporá à poligamia em França, um princípio que só é
tabu na civilização Ocidental? Porque é que a idade legal dos conjugues
será mantida? E porquê proibir casamentos dentro da família, a
pedofilia, e o incesto, que ainda são prácticas comuns no mundo?
O bispo de Toulon-Fréjus, Dominique Rey, afirma que já recolheu
100,000 assinaturas contra o "casamento" homossexual e já declarou as
suas intenções de participar num protesto organizado pela Life
Alliance, uma organização pró-vida e pró-família, que vai decorrer no
próximo dia 17.
No dia seguinte, os activistas Católicos da "Civitas Institute", que
a imprensa francesa classifica de "homofóbica" por esta denunciar o
comportamento, também se manifestará contra a proposta de lei. O seu
secretário geral , Alain Escada, afirma que indivíduos de 40
localizações diferentes serão trzidos para o evento.
