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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Nigéria no caminho certo?

Presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, assinou na segunda-feira a lei que criminaliza a homossexualidade. O texto, que prevê penas até 14 anos de prisão para os infractores, já tinha sido aprovado pelo Parlamento e tem o apoio da maioria da população.

A lei já em vigor proíbe “relacionamentos amorosos” entre pessoas do mesmo sexo e também bane as associações de defesa do direito dos homossexuais.

Qualquer pessoa que se associe, opere ou participe de clubes gays, sociedades ou organizações e demonstre publicamente, directa ou indirectamente, um relacionamento amoroso com outra pessoa do mesmo sexo na Nigéria comete uma violação e estará sujeita à condenação a dez anos de prisão”, decreta a nova lei. A pena máxima aplica-se a quem realize cerimónias de casamento ou viva em união de facto.

A nova legislação foi criticada em todo o mundo, por países e organizações. A ONU considerou que viola o direito internacional e a Amnistia Internacional fez saber que “ataca direitos básicos”.

A reacção mais forte foi a do Governo dos Estados Unidos. “Além de proibir o casamento gay, essa lei restringe de forma perigosa a liberdade de reunião, associação e expressão para todos os nigerianos”, disse o vice-presidente Joe Biden, em comunicado. 

A lei é inconsistente com as obrigações legais internacionais da Nigéria e enfraquece as reformas democráticas e a protecção aos direitos humanos asseguradas na Constituição de 1999”, diz o texto de Biden, que frisa ainda que “em qualquer lugar as pessoas merecem viver em liberdade e igualdade”.

No continente africano, 36 países punem a homossexualidade, sendo 31 deles na África subsariana. A decisão da Nigéria, o país mais populoso de África, é considerada o maior revés para os direitos dos homossexuais no continente e não só, pois pessoas de outros países que estejam na Nigéria são igualmente punidas — a homossexualidade é proibida dentro das fronteiras e casamentos celebrados noutros países são considerados ilegais.

Mais, dizem os analistas, a decisão deste país pode influênciar outros a adoptarem legislação semelhante. No Uganda uma proposta idêntica já foi aprovada mas o Presidente Yoweri Museveni ainda não a promulgou.

A lei nigeriana, diz a Associated Press, que viu as duas versões, é mais branda do que a versão inicial que criminalizava quem conhecesse um homossexual e não o denunciasse — os pais deviam denunciar os filhos gay, por exemplo.

As organizações de defesa dos direitos homossexuais da Nigéria denunciaram a lei e advertiram para os riscos que comporta, nomeadamente aumentando os riscos para os que têm HIV-sida, pois as estruturas que os apoiam foram ilegalizadas.

O activista Davis Mac-Iyalla, numa entrevista ao SaharaReporters.com, citada pelo New York Times, disse que a lei pode “traduzir-se também por um aumento de sem abrigo e por um crescimento da violência social e de Estado” contra um grupo de cidadãos.

A Nigéria é um país onde metade da população é muçulmana e a outra metade cristã e ambos os grupos são hostis para com os homossexuais.

Fonte

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Não é curioso que as pessoas que atacam os países africanos nunca parecem motivados para fazer o mesmo com os países islâmicos? Porque será?

sábado, 10 de novembro de 2012

Socialistas franceses batem em retirada

Quando Francois Hollande e os socialistas franceses atingiram o poder em Maio deste ano, a aprovação do "casamento" homossexual, bem como a aprovação de outras medidas anti-vida e anti-família, pareciam inevitáveis. No entanto, e passados que estão alguns meses, Hollande e os seus aliados encontram-se na defensiva depois dos seus planos terem sido recebidos com uma oposição forte. Essa resistência é liderada por André Vingt-Trois, Arcebispo e Cardeal de Paris.

Vingt-Trois, tal como os líderes Protestantes, Judeus e Muçulmanos, expressaram de forma assertiva a sua oposição a estas medidas, e receberam o apoio de políticos conservadores e activistas pró-vida que organizaram um protesto de alerta no dia 23 de Outubro. Outros protestos de dimensão ainda maior estão agendados para os dias 17 e 18 desde mês.

O resultado consequente foi uma alteração significativa na opinião pública, cujas sondagens haviam revelado de modo consistente um apoio ao "casamento" homossexual e ao aborto. Segundo sondagens recentes levadas a cabo pela IFOP, comissionadas pela revista Le Figaro, a oposição à adopção homossexual aumentou 10% em apenas um mês, resultando numa maioria de 52% contra. Numa aparente resposta ao clamor, os socialistas adiaram o debate em torno da proposta de lei para o próximo ano.

O Cardeal Vingt-Trois está a apelar às pessoas que entrem em contacto com os seus representantes e façam saber a sua oposição ao que os socialistas classificam de "casamento para todos." Recentemente Vingt-Trois disse ao seguinte à imprensa: 

Uma visão do ser humano que não reconheça diferenças sexuais seria uma decepção que abalaria os fundamentos da nossa sociedade e estabelecer formas de discriminação contra as crianças.

Denunciando "a pressão ostensiva de certos lobbies", Vingt-Trois acrescentou:
Isto não seria 'casamento para todos' mas sim casamento imposto a todos por parte duns poucos. Continuamos a apelar aos Cristãos e a todos que partilham da nossa perspectiva, que entrem em contacto com os seus representantes, escrevendo-lhes cartas, levando a cabo encontros e expressando-lhes as suas convicções.
 
A oposição de Vingt-Trois e ecoada por Claude Baty, líder da Federação Protestante de França e que afirma que "na criação, existe uma vontade de distinguir os sexos", e pelo Rabino Chefe de França, Giles Bernheim, que avisa que os activistas homossexuais buscam formas de "derrubar de forma definitiva" as diferenças sexuais.

A revolta tem também sido conduzida por vários mayors em jurisdições mais suburbanas e rurais, que declararam abertamente que não realizarão "casamentos" homossexuais, mesmo que a proposta de lei seja aprovada. Entre estes, o mais proeminente é Francois Lebel, mayor do 8º "Arrondisement" de Paris, que de modo destemido confrontou as sensibilidades liberais em Outubro último:

Amanhã, como é que alguém se oporá à poligamia em França, um princípio que só é tabu na civilização Ocidental? Porque é que a idade legal dos conjugues será mantida? E porquê proibir casamentos dentro da família, a pedofilia, e o incesto, que ainda são prácticas comuns no mundo?

O bispo de Toulon-Fréjus, Dominique Rey, afirma que já recolheu 100,000 assinaturas contra o "casamento" homossexual e já declarou as suas intenções de participar num protesto organizado pela Life Alliance, uma organização pró-vida e pró-família, que vai decorrer no próximo dia 17.

No dia seguinte, os activistas Católicos da "Civitas Institute", que a imprensa francesa classifica de "homofóbica" por esta denunciar o comportamento, também se manifestará contra a proposta de lei. O seu secretário geral , Alain Escada, afirma que indivíduos de 40 localizações diferentes serão trzidos para o evento.

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