O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que as minorias
sexuais em seu país gozam dos mesmos direitos e liberdades que os outros
cidadãos e apelou a um consenso com a comunidade gay. "Temos que chegar
a um acordo, compreender e desenvolver certas regras civilizadas. Acho
que é algo possível", disse o líder russo em uma conferência de imprensa
conjunta com o Primeiro-Ministro holandês Mark Rutte, na segunda-feira,
8.
Referindo-se às controversas leis que proíbem a chamada propaganda homossexual em muitas regiões da Rússia, Putin explicou que
a iniciativa era das administrações regionais e locais e não do governo
federal. "É indicativo do sentimento geral da sociedade russa”, disse
ele, salientando que as autoridades federais não podem ignorar a opinião
pública.
No entanto, o presidente russo lembrou que um dos maiores
problemas que a Rússia enfrenta actualmente é a questão demográfica e
observou a esse respeito que, "dos casamentos homossexuais [sic], não nascem
filhos". Ele também argumentou que as uniões entre pessoas do mesmo sexo
são "difíceis de imaginar" em algumas regiões do país com populações
mais tradicionais, especialmente nas áreas de maioria muçulmana, como a
Chechênia.
A visita de Putin à Holanda, primeiro país a legalizar o
casamento homossexual, foi acompanhada por um protesto da comunidade
LGBT contra a polémica lei russa que proíbe a propaganda entre
menores de idade. Aproximadamente, 1.000 activistas se reuniram na Segunda-feira, 8, em frente ao Museu da Navegação de Amsterdão, onde o
presidente russo se reunia com o primeiro-ministro holandês.
Muitas
regiões da Rússia, incluindo Novosibirsk, São Petersburgo e
Kaliningrado, entre outras, já adoptaram um sistema de multas para quem
for acusado de fazer propaganda da homossexualidade entre menores. Além
disso, a Duma, câmara baixa do Parlamento russo, aprovou em janeiro, em
primeira leitura, uma regra semelhante a nível nacional. O projecto,
promovido por uma das assembleias legislativas regionais, recebeu 388
votos a favor e apenas um contra.
A comunidade gay da Rússia está
há anos tentando fazer sua marcha na capital da nação. Até agora, o
Conselho Municipal de Moscovo negou todos os pedidos neste sentido e, em Outubro, passado a recusa foi aprovada pelo Tribunal de Moscovo.
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