Apesar de invisível, a violência nas relações homossexuais é
“tendencialmente mais elevada”. Esta é a ideia-chave de um estudo que
acaba de ser feito na Universidade do Minho (UM): 39,1 por cento dos
participantes admitiram ter adoptado algum comportamento violento e 37,7
revelaram ter sido vítimas de, pelo menos, um acto abusivo no ano
anterior.
“A amostra é pequena e
específica”, ressalva Carla Machado, co-autora com Laura Gil Costa e
Rute Antunes. Responderam ao inquérito 151 indivíduos dos 15 aos 60 anos
ligados a associações de defesa dos direitos dos homossexuais – 37,7
por cento eram estudantes, 19,9 exerciam profissões intelectuais e
científicas, e as pessoas “mais escolarizadas tendem a identificar como
violentos comportamentos banalizados pelas menos escolarizadas”.
Analisando
o que cada um admite já ter praticado, a violência psicológica é mais
frequente (30,5) do que a física (24,5). Analisando o que cada um diz já
ter sofrido, a tendência mantém-se: 35,1 por cento foram vítimas de,
pelo menos, um acto de violência emocional e 24,5 de uma agressão física
no último ano.
O mais comum é insultar, difamar, humilhar,
partir ou danificar objectos de propósito ou deitar a comida no chão
para assustar, gritar ou ameaçar, dar uma bofetada. Foi encontrada uma
forma específica de abuso: o “outing” ou ameaça de “outing” (revelação
indesejada da orientação sexual do parceiro se este tentar acabar a
relação). O que pode causar “perda de emprego, abandono de familiares e
amigos ou da custódia de um filho”.
Igual a outros países
Estes
resultados vão ao encontro das taxas encontradas noutros países. A
tendência para maior violência é clara: numa investigação sobre
violência conjugal heterossexual, que teve por base 2391 famílias, 22,2
por cento dos sujeitos assumiram-se como vítimas e 26,22 por cento como
agressores.
A professora da UM diz que a violência entre casais [sic]
do mesmo sexo tem sido “negada ou ocultada” pela comunidade homossexual,
já que reforça estereótipos negativos, e pelos investigadores da área,
já que interroga o pressuposto feminista de que a violência é filha da
desigualdade de género. As questões de género “são relativas”, já que
estão “associadas a diferenças de poder e as diferenças de poder ocorrem
independentemente do género”, advoga.
Como nas relações
heterossexuais, “a vítima sente-se isolada, vulnerável, presa à
relação”. Prende-a o amor. Prende-a o factor financeiro quando a relação
implica rendimentos, negócios, aquisições conjuntas. Há, porém, uma
“importante diferença”: o preconceito.
Teia de silêncio
Diversos
mitos ajudam a construir uma teia de silêncio. A sociedade tende a
encarar as “relações homossexuais como igualitárias”, “imunes à
violência íntima”. E a acreditar na suposta “facilidade (emocional e
financeira) que a vítima teria em abandonar a relação”. Como se as suas
relações fossem “meramente sexuais”.
Múltiplos estudos sugerem
que os homossexuais são “profundamente discriminados em diversos
sectores da sociedade”. Na família, no acesso a trabalho e morada, no
emprego, na escola, na polícia, no exército e noutras instituições.
Podem “sentir que estão sós contra o mundo – e esse sentimento pode
alimentar a relação, mas também torná-la mais tensa”, explica.
A
homofobia pode gerar “baixa auto-estima ou sentimento de inadequação
sexual, que o sujeito procura compensar através da subjugação do
parceiro”. Também pode “funcionar como um legitimador da violência
sofrida, uma vez que o indivíduo acredita que é merecedor ou até mesmo
culpado da violência”.
As vítimas homossexuais têm em regra
menos apoio. Por vezes, os familiares nem sabem que elas têm uma relação
íntima. Revelar a violência também pode ser encarado como uma forma de
reforçar a imagem negativa que a família tem da homossexualidade. As
vítimas chegam a preferir “manter um relacionamento íntimo violento a
permitir comentários do tipo: 'Eu bem te avisei.’”
E os
serviços? Não há casas abrigo para homens. E Carla Machado questiona-se
sobre a sensibilidade que terá quem trabalha em casas abrigo destinadas a
mulheres e crianças para lidar com lésbicas vítimas de violência
doméstica.
“A prevalência alerta-nos para a necessidade de
maximizarmos a visibilidade deste fenómeno”, conclui o artigo
científico, que foi há uns dias para publicação numa revista científica.
“Num contexto social preconceituoso, sem campanhas de informação
adequadas ou serviços específicos, muitas vítimas de violência íntima
não são sequer capazes de reconhecer as suas relações como abusivas”.
As
investigadoras julgam importante criar serviços ou, pelo menos, alargar
os já existentes aos homossexuais. Acham que “o maior desafio face à
violência nas relações homossexuais continua a ser a cegueira inerente à
homofobia”.
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O artigo é claramente tendencioso em favor do homossexualismo, mas o que interessa reter é que as relações homoeróticas são, em média, mais violentas que as relações dentro dum casal.